Você sabe que ele mandou matar o rival, mentiu para a família e corrompeu meia cidade. Mesmo assim, torce para ele escapar no final. Essa contradição é o motor de quase toda saga de chefões. A Chefões Play, do chefoes.com.br, explica como os roteiristas constroem esse efeito.
O ponto de vista
A primeira ferramenta é simples: a câmera segue o criminoso. Vemos o mundo pelos olhos dele, conhecemos seus medos, seus filhos, suas dúvidas. Quem acompanhamos de perto vira, quase sem querer, alguém por quem torcemos.
Um inimigo pior
Quase sempre existe alguém pior por perto: um rival mais cruel, um policial corrupto, um chefe que mata por prazer. Em comparação, o protagonista parece razoável.
Código de honra
O anti-herói costuma ter regras próprias. Não mexe com crianças, protege a família, cumpre a palavra. Essas regras dão a ele uma espécie de dignidade, mesmo no crime.
Competência
Gostamos de ver gente boa no que faz. Um chefe que resolve um problema com uma frase, um ladrão que planeja cada detalhe. A competência conquista, mesmo quando o trabalho é errado.
O preço
As melhores histórias mostram o preço. O protagonista ganha poder e perde pessoas. Ao torcer por ele, também sofremos as perdas. É isso que dá peso ao final.
Desconforto
Parte da experiência é o incômodo de perceber que você torceu por alguém que fez algo terrível. Bons filmes provocam essa reflexão de propósito. Não é para sair concordando com o personagem.
Séries longas
Em séries de várias temporadas, a simpatia é testada aos poucos. A cada temporada, o protagonista faz algo pior, e o público se pergunta até onde vai acompanhá-lo.
Para conversar depois
Esses filmes rendem conversa. Ver com alguém e discutir no intervalo é uma das melhores partes. Veja intervalo na metade do filme longo.
Uma noite de exemplo
No começo do filme, você acha o filho mais novo frio e calculista demais. Duas horas depois, ele protege o pai ferido numa noite de cerco, e você torce. No final, quando ele fecha a porta para a esposa, você entende o que perdeu junto com ele.
Para quem prefere o outro lado
Se você prefere torcer pela polícia, as séries de investigação longa contam a mesma história do outro lado da mesa. Veja séries policiais de investigação longa.
Crianças por perto
Esses filmes são pensados para adultos. Se houver crianças em casa, veja crianças em casa, classificação indicativa e controle.
O ator
Uma atuação forte ajuda muito. Quando o ator mostra cansaço, medo e afeto nos pequenos gestos, o personagem fica humano, mesmo cometendo crimes. Por isso tantas sagas ficaram marcadas pelos rostos de quem as interpretou.
Vilão que vira herói
Algumas séries fazem o caminho inverso: começam com um vilão e, aos poucos, revelam uma história que muda o olhar do público. Esse arco de redenção também é comum no gênero.
Perguntas frequentes
Por que torcemos pelo criminoso? Porque a história é contada pelo ponto de vista dele.
Torcer é aprovar? Não. Bons filmes mostram o preço das escolhas.
Sempre há alguém pior? Quase sempre, para contrastar.
Esses filmes são para crianças? Não. São pensados para adultos.